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No gênero Lied​ a compreensão do texto é fundamental para uma boa apreciação da obra, por essa razão colocamos ao lado de cada vídeo uma tradução livre, que não tem pretensões literárias, feita por Clarissa Cabral.


Eu agora não queria ser eu
Queria ser uma flor que estivesse desfolhando,
Um som que fosse se extinguindo,
Um perfume se perdendo no ar...
Qualquer coisa que estivesse morrendo de mansinho...


Tenho medo...
Algum dia
Poderás me procurar no fundo dos meus olhos
E não me acharás mais.
Poderás apertar o meu corpo em teus braços
E encontrar uma sombra.
Estarei muito longe, perdida
No desassossego dos caminhos...
Porque encheremos nossos olhos de lágrimas, meu amor?


Oneyda Alvarenga





Duo Ouvir Estrelas interpreta Noturnos 1 e 2 de Hans-Joachim Koellreuter.





Duo Ouvir Estrelas interpreta Trovas Capixabas de Cesar Guerra Peixe.







Duo Ouvir Estrelas canta Três Sonetos de Drummond de Edino Krieger.








Duo Ouvir Estrelas canta Clara Schumann - editado por Cesar Roberti, traz trechos de nossos recitais na Igreja do Carmo e na Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social - Bunkyo. 


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas". 

Olavo Bilac


Suleika​

Ah, como eu invejo você

Vento do Oeste, pelas suas asas úmidas

Você pode levar-lhe palavras

Como eu sofro, separada dele.


O movimento de suas asas

Desperta a saudade em meu peito,

Flores, campos, florestas e montanhas

Estão cheias de lágrimas de sua respiração.


Sua suave e gentil briza

Esfriam minhas pálpebras doloridas,

Ah, eu poderia morrer de tristeza,

Se eu não tiver esperança de vê-lo novamente.


Apresse o meu amado,

Fale suavemente no coração dele

Mas tenha o cuidado de não perturbá-lo

E esconda o meu sofrimento dele.


Diga -lhe simplesmente

Que seu amor é minha vida,

E que a felicidade de ambos

Sua presença irá me trazer.

Marianne von Wellemer





O caminhante noturno

Eu caminho pela noite silenciosa

Onde frequentemente a lua brilha gentilmente

As nuvens escuras ficam para traz

E aqui e ali no vale

O rouxinol desperta, mas

Tudo é cinza e silencioso.


Uma mágica canção noturna,

Das terras distantes onde os riachos correm

O leve sussurro na copa das árvores escuras

Você confunde meus pensamentos,

Minha canção aqui cantada

É como um chamado dos sonhos

Minha canção é um chamado,

Um chamado dos sonhos.

Joseph von Eichendorf



Eu caminho entre as flores

Eu caminho entre as flores

E eu desabrocho junto com elas

Eu caminho como se estivesse em um sonho

E vacilo em cada passo.

Segure-me rapidamente, meu amado!

Pois embevecida de amor

Posso cair aos seus pés

E o jardim está cheio de pessoas!

Heinrich Heine




Com você estou segura​

Com você estou segura

O relógio badala timidamente

Como nos tempos antigos,

Diga me algo amoroso

Mas não fale alto


Um portão range em algum lugar

Lá fora onde as flores desabrocham

A noite escuta através da janela,

Deixe-nos permanecer quietos, 

Ninguém sabe onde estamos.

Rainer Maria Rilke



Horch! Welch' ein süßes harmonisches Klingen:
Flüstern erhebt sich zum jubelnden Laut.
Laß mich dich, reizendes Mädchen, umschlingen,
Wie ein Geliebter die liebende Braut.


Komm! Laß mit den wogenden Tönen uns schweben,
Die uns wie Stimmen der Liebe umwehn:
So uns der seligsten Täuschung ergeben,
Glücklich es wähnen, was nie kann geschehn.


Auge in Auge mit glühenden Wangen,
Bebende Seufzer verlangender Lust!
Ach! Wenn die Stunden der Freude vergangen,
Füllet nur trauernde Sehnsucht die Brust,


Nimmer erblüht, was einmal verblüht,
Nie wird die rosige Jugend uns neu,
o drum, eh das Feuer der Herzen verglüht,
Liebe um Liebe, noch lächelt der Mai.


Horch! Welch' ein süßes harmonisches Klingen:
Flüstern erhebt sich zum jubelnden Laut.
Laß mich dich, reizendes Mädchen, umschlingen,
wie ein Geliebter die liebende Braut.


Horch! O que é um doce Som harmonioso: 
Sussurro sobe para a torcida Alto. 
Você me deixar, linda menina, entrelaçam, 
Como uma amada noiva-a-ser amantes.

 

Venha! Deixe o carregadas sons flutuar para nós, 
A nós, como vozes de amor amor: 
Então para nós o mais abençoado engano revelado 
Feliz é pensar, o que nunca aconteceu.

 

Olho-a-olho com brilhantes, bochechas, 
Trêmulo suspiro dizer Luxúria! 
Oh! Se as horas de prazer a alegria de ter passado, 
Preencher apenas luto saudade do peito, 

Nunca flores, que floresce uma vez, 
Nunca o rosado da juventude é novo para nós, 
o tambor, eh, o fogo do coração queima, 
Amor, amor, pode sorrisos. 

Horch! O que' um doce Som harmonioso: 
Sussurro sobe para a torcida Alto. 
Você me deixar, linda menina, entrelaçam, 
como uma amada noiva-a-ser amantes. 

Clara Schumann


Canção Popular

Caiu uma geada na noite de primavera,

Ela caiu sobre as delicadas florzinhas azuis:

E elas tornaram-se murchas, secas.

Um jovenzinho tinha amor por uma moça;

Eles fugiram secretamente de casa,

Disso não sabiam nem o pai nem a mãe.

Eles vagaram por aqui e por ali,

Eles não tiveram felicidade nem sorte,

Eles morreram, arruinaram-se/ apodreceram.

Heinrich Heine​


A violeta

Era uma vez uma violeta nascida numa campina,

Curvada sobre si mesma, ignorada,

Uma violeta sem par!

Veio vindo uma pastora linda, meiga, jovial,

Por um momento só!

Até que viesse o bem amado e me colhesse e, assim colhida

Junto ao seu peito me apertasse

Por um momento apenas,

Por um momento só!

Veio a pastora e, desastrosa,

Não percebendo a humilde flor,

Aos pés calcou a pobrezinha,

Tombou, coitada, agonizante, mas, mesmo assim, se alegrava:

- Porque se morro espezinhada ainda assim vale morrer,

Ainda assim feliz sou eu,

Calcada aos pés da bem amada.[1]


      Johann Wolfgang von Goethe


[1] Tradução de Pedro de Almeida Moura (PFROMM, 2005, p.128). 


Oh dor da despedida, que ele causou

Oh dor da despedida, que ele causou,

Pois ele me deixou na saudade!

Oh dor da súplica, do choro de suas lágrimas,

como ele implorou!

Ele disse-me assim: deixe o luto!

Mesmo assim ele foi embora sofrendo.

Com as suas lágrimas eu fiquei encharcada,

E isso esfriou o meu coração.

Friedrich Rückert


A despedida

Brasas púrpuras reluzem longínquas,

O dia luminoso afunda dourado,

Solitárias estrelas prateadas

Surgirão no firmamento.

A rainha do dia

Recolhe a sua cabeça para o descanso;

Mais um cumprimento, até mais ver,

Não é uma despedida, não é uma perda.

Sombras cobrem a terra ampla,

Na terra pousa a noite.

Pobre coração, que o dia deixou tão cansado,

Fique tranquilo!

Oh doce figura, apareça para mim de modo amável e suave,

em meu sonho.

Mais um cumprimento, até mais ver,

Não é uma despedida, não é uma perda.

Ah, escorrem lágrimas quentes,

Logo um sentimento saudoso,

Logo uma saudade dolorida (envolta por medo),

Querem romper meu peito.

Apenas o sonho traz de volta,

A felicidade desaparecida tão rapidamente.

Mais um cumprimento, até mais ver,

Não é uma despedida, não é uma perda.

Quando eu olho no vermelhão da noite

E o sol se põe,

Eu penso em toda a dor,

Que já superei.

Ah, talvez a próxima manhã,

Levará todas, todas as preocupações.

Deixe estar, até mais ver,

Não é uma despedida, não é uma perda.

Friederike Serre


Lorelei

Eu não sei bem o motivo

De eu me encontrar tão tristonho;

Um conto de fadas de tempos antigos

Não me sai da cabeça.

A brisa é fria e está escurecendo,

O Reno flui calmamente;

No cume do morro resplandece

No brilho do sol antes de ele se por.

A virgem mais bonita está sentada

Lá em cima, maravilhosa

Suas jóias douradas brilham,

E ela penteia seus cabelos dourados.

Ela os penteia com um pente dourado,

Enquanto canta uma canção,

Uma canção cuja melodia é maravilhosa,

E imponente.

O marinheiro, em seu pequeno barco,

É tomado por muita aflição.

Ele não mira o rochedo,

Ele só olha para as alturas. [para o cume onde está a moça]

Eu creio, que no final, as ondas

Engoliram o marinheiro e o barquinho,

E isso com sua canção,

É que a Lorelei o fez.

Heinrich Heine


​Se você ama a beleza

Se você ama a beleza

Ó você não me ama!

Você ama o sol,

Que tem cabelos dourados!


Se você ama a juventude,

Ó você não me ama!

Ame a primavera

Cuja juventude renova-se a cada ano!


Se você ama a riqueza,

Ó você não me ama

Ame a sereia,

Ela tem muitas pérolas


Se você ama o amor,

Ó sim,  você me ama!

Ame-me pra sempre

E eu amarei você eternamente.

Friedrich Rückert


A Estrela da Noite

Você está mesmo tão longe

querida estrela brilhante?

Com saudade mentalizo em segredo

Você que circunda a terra.

Brilhando durante toda a noite com tanta luz,

Silenciosa, até as preocupações acordam,

mesmo quando já está amanhecendo, seu brilho ainda está lá,

até o Sol acordar.

Será que sua luz alegre não

me transmitirá paz e silêncio?

Quando olho você, estrela brilhante,

Tenho vontade de morrer.

Autor desconhecido


A boa noite, que eu te digo,
Amigo, ouça-a!
Um anjo, que carrega esta mensagem,
Vai, de vez em quando,

Leva-a para você e traz de volta
A saudação:
As canções do amigo também te dizem
Agora, boa noite.

Friedrich Rückert​


O weh des scheidens, das er tat,
Da er mich liess im sehnen!
O weh des bittens, wie er bat,
Des weines seiner tränen!

Er sprach zu mir. dein trauen lass
Und schied doch selbst in schmerzen.
Von seinen tränen ward ich nass,
Dass kühl mir's ward im herzen.

Oh, dor da separação, que ele provocou,
Da saudade que ele me deixou.
Oh, dor das súplicas, como ele pediu
Das lágrimas do seu pranto

Ele falou comigo. Confiou
E até mesmo compartilhou suas dores.
Com suas lágrimas me embriaguei,
Isso refrescou meu coração.


Heinrich Heine