Clarissa Cabral




Biografia

Iniciou seus estudos artísticos e musicais na Escola Municipal de Iniciação Artística, aos cinco anos. Em 1993 ingressou na Escola Municipal de Música onde estudou piano, flauta transversal e cravo. Nesta escola teve seus estudos orientados por: Sonia Albano, Wilson Rezende, Terezinha Saghaard entre outros. Em 2003 começou a dedicar-se ao trabalho de técnica vocal, sendo orientada pelo tenor Marcos Thadeu.

Durante os anos de 2001 a 2006 cursou, no Departamento de Música daUniversidade de São Paulo, o Bacharelado em Instrumento/Piano, orientada pelo prof. Dr. Amilcar Zani Netto.


Sempre ativa e interessada em ampliar seus conhecimentos, participou de festivais: Oficina de Música de Curitiba, I Festival de Interpretação da Escola Municipal de Música, 28o. Festival de Música de Prados e X Festival de Ourinhos; cantou em masterclasses com: Ian Storey (Reino Unido), Heidi Grant Murphy (EUA), Peter Dauelsberg (Brasil), Lucia Duchonová (Eslovênia), Felicity Lott (Inglaterra), Nathalie Stutzmann (França), Nicolau de Figueiredo (Brasil), Ricardo kanji (Brasil) e Rosana Lamosa; e desenvolveu seu trabalho técnico vocal com Rosa Dominguez e Ulrich Messthaler (Basel - Suíça).


Atuou como solista a frente da Camerata Antiqua de Curitiba, Camerata Fukuda e Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob regência respectivamente de Naomi Munakata, Celso Antunes e Yan Pascal Tortelier.


Em 2011 recebeu o título de Mestre em música pela Universidade de São Paulo com a dissertação intitulada "Os Lieder de Clara Schumann", trabalho orientado pelo prof. Dr. Amilcar Zani Netto. Em 2012 concluiu o curso de Cravo na Escola de Música de São Paulo.


Desde 2007 é integrante do Coral Audi Coelum regido por Roberto Rodrigues e do Coral da OSESP regido por Naomi Munakata.



Vídeos


Recital de formatura do curso de cravo , classe da Professora Terezinha Saghaard, da Escola Municipal de Música. Realizado no auditório da escola – localizado na Praça das Artes, São Paulo - SP, em dezembro de 2012.




Quant j’ai ouy le tabourin – Claude Debussy

Clarissa Cabral – mezzo soprano / Naomi Munakata – regente

Coro da Osesp – Osesp Itinerante 2013 – Pindamonhangaba 


Quando ouvi o tamborim

Quando o tamborim ouvi

p'ra ir à luta chamando

Em minha cama e nem ligando

Nem da almofada a cabeça ergui

Darei mais uma cochilada.

Dizendo: ainda é madrugada

Quando soa o tamborim

p'ra ir à luta chamando

Os jovens partem, atrás de seu butim

Eu, com a preguiça vou ficando

Dela vou me alimentando

Sinto-a mais próxima de mim.

Quando ouvi o tamborim

p'ra ir a{a luta chamando

Em minha cama e nem ligando

Nem da almofada a cabeça ergui.

Charles d'Orleans

Tradução: Bia Preiss



Frauenliebe und Leben - Robert Schumann op.42

Poesia de Adalbert von Chamisso - Tradução livre de: Maria Fernanda Cidrais

I


Desde que o vi, sinto-me como cega,

Para onde quer que olhe, vejo-o apenas a ele;

Como num sonho acordado, paira a sua imagem diante de mim,

Surgindo da mais profunda escuridão ainda mais nítida. 

Tudo o mais não tem cor nem luz à minha volta,

Já não me atraem os folguedos das minhas irmãs,

Preferia chorar sozinha no meu quarto;

Desde que o vi, sinto-me como cega.


​II


Ele, o mais maravilhoso de todos,
Como é terno, como é bom.
Lábios gentis, olhos brilhantes,
Espírito claro e coragem firme.

Tal como no azul profundo,
Resplandece aquela estrela,
Assim ele brilha,
No meu coração.

Segue o teu caminho;
Quero apenas contemplar o teu clarão,
Contemplá-lo humildemente,
E sentir-me triste e feliz!

Não escutes a minha prece silenciosa,
Que ofereço pela tua felicidade,
Não precisas de conhecer esta pobre rapariga,
Estrela gloriosa e longínqua.

Só a mais digna de todas
Deverá ser a tua eleita,
E eu abençoá-la-ei,
Milhares de vezes.

Rejubilarei então e chorarei,
Pois serei feliz,
E se o meu coração se despedaçar,
Que importância tem isso?


​III


Não consigo entender, nem acreditar,
Deve ser um sonho enganador;
Como poderia ele entre todas
Ter-me escolhido e tornado feliz?

Parecia-me tê-lo ouvido sempre:
«Sou teu para sempre»,
E parecia-me estar ainda a sonhar;
Pois não pode ser verdade.

Ó, deixai-me morrer neste sonho,
Encostada ao seu peito,
Ser levada pela morte abençoada
Entre lágrimas de felicidade infinita.


​V


Ajudai-me, irmãs minhas,
Gentilmente a enfeitar-me,
Servi-me hoje, que estou tão feliz.
Colocai ligeiras
Na minha fronte
A coroa de laranjeira.

Quando me encontrava em paz,
E com o coração jubiloso,
Nos braços do meu amor,
Ele aguardava já,
Com o coração ansioso,
Por este dia.

Ajudai-me, irmãs minhas,
Ajudai-me a afastar
Um receio insensato;
Para que eu o receba
De olhar límpido,
A ele, a fonte da minha alegria.

Tu, meu amor,
Surgiste perante mim,
Dás-me, sol, a tua luz?
Deixai-me na minha devoção,
Deixai-me na minha humildade,
Inclinar-me diante do meu Senhor.

Espalhai, irmãs minhas,
Flores sobre ele,
Oferecei-lhe botões de rosa.
Mas de vós, irmãs,
Despeço-me com emoção,
Ao afastar-me da vossa companhia.


​VII


No meu coração, no meu peito,
Tu, minha alegria e meu encanto!
A felicidade é o amor,
O amor é a felicidade,
Já o disse e mantenho-o.
Sentia-me extremamente feliz,
Mas agora sou-o ainda mais.
Só quem amamenta, só quem ama
A criança a quem alimenta;
Só uma mãe é que sabe,
O que é amar e ser feliz.
Ó, como lamento o homem,
Que não pode sentir o amor de mãe.
Tu, anjo muito querido,
Tu fitas-me e sorris.
No meu coração, no meu peito,
Tu, minha alegria e meu encanto!


​VIII


Causaste-me agora o primeiro desgosto,
Como me magoou.
Tu dormes, homem frio e cruel
O sono da morte.

A abandonada olha à sua frente,
O mundo está vazio.
Amei e vivi,
Mas já não amo mais.

Em silêncio, retiro-me para o meu íntimo,
Cai o véu;
Ali tenho-te a ti e a minha felicidade perdida,
Pois foste o meu mundo!




Fotos​